"Foi tanta força que eu fiz por nada
pra tanta gente eu me dei de graça
(...)
Tomara um dia isso tudo passa..."
(Doublé de corpo - Leoni)
Eu, horrorizando o mundo, o homem que senta na calçada e rói os dedos até a última falange. E, horrorizado, o mundo ri, de mim, para mim, comigo. And we had sex, ma'am. Inexplicável, você diz, impossível, minha razão não crê, não cria, pero ya cree, um dia. Minha língua queimada de café quente e amargo, quente. O homem que horroriza as pessoas, que cruza o ponto de ônibus lotado, soltando fumaça fedorenta pela boca; que joga ácool e toca fogo para tentar queimar algo dentro de si, que não existe, de fato. Por isso é que sai fumaça da boca dele, mãe? Não, antes fosse, sai fumaça por causa do fogo-fátuo que arde dentro dele, filho meu. Dentro dele alguma coisa morreu, se não morreu, está cada dia mais fraco. O homem, sentado na escada, l'esprit d'escalier, tentando encontrar algo para dizer a ele mesmo, comendo como se come pipoca suas próprias partes podres. Eis o homem que se apanha chorando, vivendo e não aprendendo, eis um homem, esse sou eu. Que se diz seguro, que se diz maduro. A música continua e repete, IRA, que ira, do mundo. Agora, mãe, pai, deu minha hora. Hora de mudar, de deixar de ser borboleta e virar casulo, mais uma vez.
2 comentários:
Me surpreendeu. Como sempre :D
sábias entrelinhas!
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