terça-feira, 26 de abril de 2011

Yellow-eyed Blues

Hoje eu acordei as cinco da manhã e já tava cansado.
Me dei 15 minutos de misericórdia no despertador e acordei quando ele tocou de novo, mais cansado.
Fui lá, na padaria, tomar uma média escura com misto quente. E foi aí que o celular tocou pela primeira vez, era ela, senti vontade de deixar ele na lata de lixo, abrir os botões da camisa e sair por aí assoviando, mas não. 
Também não atendi.
Fui até o ponto de ônibus e fumei um cigarro, sem vontade.
Minha vida daria um blues, cara, sério.
Metade dos que me conhecem não conhece, a metade dos que conhecem, só conhece a metade, a outra desconhece e a outra metade, geralmente, fica confusa e desiste.
Cheguei no trabalho e olhei bem pro rosto de cada um ali no pátio, nenhum deles me chamava a atenção, não sentia vontade de conhecer ninguém.
Foi quando ela, a outra, cruzou o pátio procurando por um isqueiro. Eu acenei, ela veio e foi aquela troca de "quanto-tempo-como-vai-a-vida-fazendo-o-que-aqui" costumeira. Realmente, muito tempo.
E conversamos por eternos quinze minutos, o telefone tocou mais umas duas vezes nesse meio tempo, fingi que não era pra mim.
Depois ela foi, levando aquele cheiro de perfume de revista, creme de cabelo e cigarro molhado, tudo sutil e misturado. Pela primeira vez senti saudade de alguém antes que esse alguém tivesse partido. 
Ela gostava de meninas, eu também. Não chegava nem a ser um desafio. Descontente e ignorante, desisti.
Então a vida voltou ao normal, acendi mais um cigarro e tentei lembrar onde, na minha linha de raciocínio auto-piedoso, eu havia parado.
Sim, lembrei, na parte do blues.
Cara, eu ando tão cansado...

2 comentários:

- Mateus Bernstein disse...

anda cansado ou anda in the blues?

HBMS disse...

I'm so tired...'