sexta-feira, 15 de julho de 2011

O primeiro cigarro de um homem

Foi aí que ela, que tinha aquela cor escura na boca, aquela que só quem muito fuma tem, me pediu um isqueiro e eu, colecionador e não-fumante, gentilmente estendi o que havia em meu bolso.
Ela acendeu o próprio cigarro, o cigarro de duas amigas, do namorado de uma das amigas e veio me devolver o isqueiro, ainda quente e úmido de suas mãos suadas, me deu um obrigado desses que a gente dá a motorista de ônibus e saiu de cena.
Quem veio depois foi um outro e me perguntou se eu estava ocupado, quantos anos tinha, deu em cima de mim, eu acho, não curto; levantei e antes que as cortinas caíssem por completo, pedi um cigarro a ele.
Obrigado, eu disse.

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