quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tua tirania, Jader

O amor é uma tirania doce, dulcíssima tirania, meu Jader, e você me ama, não ama?
Tua tirania me prende e nesse prender eu me liberto; teu amor nunca me satisfaz, nunquinha, e isso me deixa satisfeito, não pela primeira necessidade, mas pela segunda: satisfação é morte, Jader, a satisfação é a morte do desejo, e desejar-te é o que mais quero, meu doce tirano, isso me completa, me preenche. Ou seja, Dinho, tua falta me deixa inteiro, deu pra entender?
Tua tirania é queimadura de cigarro, trezentos graus ardendo a 8 cm dos dedos, entende a beleza disso, Jader? Teu amor é queimadura iminente e cicatriz eterna, meu bem, como eu posso um dia rejeitar isso?
Você ri, sei que você me ouve e ri, por dentro mais, por fora menos, mais contido, mas ri, tirano.
Um dia, Jader, você vai estar semi-bêbado, em seu quarto, pensando no que poderia ou não fazer da sua vida e das suas roupas sujas e vai lembrar de mim, lembrar de como eu aceitava tuas rejeições e sabe o que vai fazer? Me ligar. E sabe o que vou fazer? Te atender.

4 comentários:

Anônimo disse...

Irônico ;]]

Jônatas M. Morais disse...

Sempre extraordinário!
Lança esse livro, man!
Parabéns³³³

Camila Santana disse...

Escreve muito bem, viu? Parabéns!

Sly. disse...

Parece até que você fez pra mim. Só troca os personagens... Mas você é desses, sabe falar de qualquer um contando a história de um fulano da vida, ou mesmo a sua. Você me espanta. Eu amo você.