terça-feira, 9 de agosto de 2011

Reza

Eu, ateu, esqueci como é rezar.
Quero uma reza, um cântico, um despacho, algo que tire você daqui.
Algo que me liberte de todo o passo, todo passado, que me faça arrancar você de minha memória, como arranca Deus a alma de um corpo morto, se for isso mesmo que acontece.
Depois de você esteve Rita, Julia, Paula, umas marias e dois joãos, mas só o cheiro que permanece em minha cama é o seu, só o sexo que eu me lembro é o seu, eu só me toco pensando em você.
Caiu sobre mim a praga da saudade, a maldição de desejar alguém que, nunca, eu sei, por mais que eu-te-ligue-e-você-me-ligue, a gente se veja mil vezes, a gente jure amor uma centena, nunca, nunca eu terei de volta.
Isso me dói, pois tenho medo, sozinho em meu apartamento novo, de morrer faltando você, entende? E ligo pra minha mãe - duas da madrugada, ela desespera, acha que teve algo comigo - cheio de aflição na voz e digo: não consigo dormir, mãe.
E ela diz: reza, meu fiho, que Deus te ajuda.
Ajuda não, mãe, ajuda nada: Deus é amor e amor não é pro meu bico

2 comentários:

Sly. disse...

Tem algo além de beleza em você e tudo que você emana meu rei?

Pedro Soul disse...

Amor é questão de...