domingo, 20 de novembro de 2011

Paixão

risca, risca, risca
A palma de uma mão trêmula, suada, a segurar uma caixa de fósforos, os dedos tentam;
risca, risca, risca
- Tá nervoso, meu lindo? - disse ela
risca, risca, risca, risca, clack - o palito quebra, saca outro - risca, risca, risca
- ...Deixa que eu acendo pra você
risca, risca Fogo.
- Obrigado - ele diz, acende o cigarro e dá uma tragada profunda.
- Acha que está pronto?
- Alguém algum dia está? - ele ri. Aquele riso que só ele sabe rir.
- Mas já passou da hora, não acha?
- Acho...
- Então, cê vai fazer o seguinte, anda reto nessa rua e na terceira esquina tem um cara de óculos escuros e casaco jeans, do outro lado da rua tem uma guria de saia preta e blusa vermelha, é só não deixar os dois se olharem, só isso, entendeu.
- Entendi.
- Entendeu mesmo?
- Entendi.
- Então vai lá. Boa sorte - e ela lhe aplica um beijo na testa que o faz sentir-se mais confiante.
- Obrigado, Vida.
Ele vai. Estagiário de Destino, primeiro dia de trabalho. E entendeu tudo errado.

(Prólogo do livro "Relatos de um Destino amador", escrito por mim, em algum momento da noite de ontem)

1 comentários:

Laís Lima e Bárbara Suzart disse...

Boa sorte no término do livro! Muito bom o prólogo.